Egito alertou Israel sobre Hamas antes do 7 de outubro, diz jornalista
Chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, foi a Israel menos de duas semanas antes do ataque para alertar sobre mobilização do Hamas
O que aconteceu
A jornalista Vivian Salama, repórter da revista The Atlantic, afirmou em entrevista ao Bloomberg This Weekend que o então chefe da inteligência do Egito, Abbas Kamel, fez uma viagem de 67 minutos a Israel. A visita ocorreu menos de duas semanas antes do ataque de 7 de outubro de 2023. Segundo Salama, Kamel foi a Israel para alertar as autoridades do país de que a inteligência egípcia apontava que o Hamas se preparava para uma ofensiva de grande porte.
A conversa foi conduzida pelos apresentadores David Gura e Christina Ruffini. Salama descreveu a viagem como incomum e disse que o Egito estava entre vários governos da região que manifestaram preocupação antes do ataque. O que permanece em aberto, segundo ela, é quem recebeu os alertas do lado israelense e como as autoridades de Israel reagiram a essas informações.
Contexto
Abbas Kamel comandava o serviço de inteligência do Egito no período que antecedeu o 7 de outubro. O país tem fronteira com a Faixa de Gaza e costuma atuar como canal de negociação entre Israel e grupos palestinos. O alerta relatado por Salama não foi um caso isolado. Outros governos da região também sinalizaram riscos antes do ataque, de acordo com a jornalista.
O relato indica que a advertência chegou a Israel por um canal direto e de alto nível. Ainda assim, não foram divulgados detalhes sobre o conteúdo exato do que Kamel transmitiu nem sobre a resposta de quem o recebeu.
Por que importa
A declaração reacende a pergunta central que ronda o 7 de outubro: como uma ofensiva de grande porte avançou se havia sinais sendo transmitidos por governos da região. A fala de Salama acrescenta um elemento específico a esse debate, ao situar uma advertência egípcia em uma janela de menos de duas semanas antes do ataque e em uma reunião presencial de 67 minutos.
Para leitores que acompanham o tema, o ponto sensível não é apenas a existência do aviso. É o destino que ele teve dentro da estrutura de segurança israelense. Sem essa resposta, a discussão sobre falha de inteligência segue sem fechamento.
Impacto
A divulgação amplia a cobrança pública sobre os serviços de inteligência de Israel e sobre os canais de cooperação regional. Se um alerta egípcio de alto nível chegou a Israel pouco antes do ataque, cresce a pressão para que o país explique o fluxo interno de informações naquele período.
O episódio também afeta a relação entre Egito e Israel no campo da inteligência. Cooperação desse tipo depende de confiança de que os avisos serão tratados com seriedade. Dúvidas sobre o que aconteceu com a advertência de Kamel podem influenciar como Cairo e outros governos da região calibram o compartilhamento de informações sensíveis no futuro.
O que muda
O relato desloca parte do foco das perguntas sobre o 7 de outubro. Em vez de se concentrar apenas no que Israel sabia internamente, o depoimento de Salama coloca no centro da discussão o que parceiros regionais repassaram e como isso foi processado. Isso inclui o Egito e os demais governos citados pela jornalista.
A entrevista deixa explícito que a questão de quem recebeu os alertas continua sem resposta conhecida. Enquanto isso não for esclarecido, qualquer conclusão sobre a atuação dos serviços de inteligência antes do ataque fica incompleta.
O que vem agora
Salama, que é repórter da The Atlantic, segue publicando sobre o tema. Novas apurações podem detalhar o conteúdo da advertência levada por Abbas Kamel e identificar as autoridades israelenses que a receberam. Até o momento, não há prazo divulgado para que essas respostas venham a público nem confirmação oficial de Israel sobre a visita.
Fontes
Bloomberg, "Egypt Flagged Hamas Threat Before Oct. 7" (https://www.bloomberg.com/news/videos/2026-10-03/egypt-flagged-hamas-threat-before-oct-7-video)
