WeLion aposta em baterias semissólidas de alta densidade

Chinesa fundada em 2016 já equipa carros da Nio e navios de carga, com células híbridas de eletrólito líquido e sólido

Por Marcos Guimarães6 out 2026
WeLion aposta em baterias semissólidas de alta densidade

O que aconteceu

A WeLion New Energy, fabricante chinesa de baterias, foi destacada pela MIT Technology Review na lista de empresas de tecnologia climática para acompanhar em 2026. A reportagem foi publicada em 6 de outubro de 2026 e aponta a aposta da companhia em células semissólidas, que usam um eletrólito parte líquido e parte sólido.

Em 2023, a WeLion New Energy lançou um pacote de bateria em parceria com a montadora de Xangai Nio, conhecida pela tecnologia de troca de baterias. O pacote tinha densidade energética de 360 Wh/kg, bem acima da média de 200 Wh/kg dos pacotes de lítio-ion disponíveis hoje. O número se traduziu em autonomia superior a 1.000 quilômetros (621 milhas). Apenas cerca de 200 unidades foram fabricadas, por causa do alto custo de produção, e elas seguem em uso pela Nio, segundo a WeLion.

A Nio, montadora com sede em Xangai, usa esse pacote como vitrine de sua estratégia de baterias. O volume pequeno mostra o obstáculo principal: produzir em escala sem estourar o preço.

Contexto

Baterias de lítio-ion movem hoje de celulares a carros elétricos. O eletrólito que facilita a transferência de íons nessas células é um líquido inflamável, o que cria risco de incêndio. A alternativa perseguida pelo setor são as células de estado sólido, com eletrólito sólido, capazes de elevar a densidade energética e reduzir esse perigo.

O problema é que células totalmente sólidas são extremamente difíceis de fabricar. Por isso a WeLion New Energy concentra esforços em células semissólidas, um meio-termo viável entre a química atual e o estado sólido completo.

A empresa foi fundada em 2016 e tem sede em Pequim. Entre seus cofundadores está Chen Liquan, cientista da Academia Chinesa de Ciências que liderou o desenvolvimento da primeira bateria totalmente sólida da China, segundo a MIT Technology Review.

Por que importa

O ganho de densidade energética define quanta energia cabe em cada quilo de bateria. Mais densidade significa mais autonomia com o mesmo peso, ou o mesmo alcance com menos peso. Para veículos elétricos de passageiros, isso ataca direto a ansiedade de autonomia. Para embarcações e drones, onde cada quilo conta, o efeito é ainda maior.

A WeLion New Energy também construiu baterias para navios de carga e balsas por meio de uma subsidiária, saindo do território dos carros de passeio. É um sinal de que a tecnologia semissólida pode atender aplicações pesadas, que exigem energia em volume e não apenas em potência de pico.

Impacto

Em testes realizados em 2025, engenheiros da WeLion New Energy chegaram a uma densidade de 824 Wh/kg em uma célula semissólida. O valor é mais de três vezes a densidade de uma bateria padrão de lítio-ion disponível hoje. Se essa marca se sustentar na produção em série, ela muda a conta de peso e espaço em projetos de veículos elétricos, embarcações e aeronaves não tripuladas.

O número também expõe a distância entre laboratório e fábrica. O pacote de 2023, com 360 Wh/kg, já era quase o dobro da média atual, mas parou em cerca de 200 unidades por custo. A questão para a WeLion não é provar densidade em teste, e sim baixar o preço por quilowatt-hora.

O que muda

A disputa deixa de ser só sobre lítio-ion otimizado e passa a incluir o híbrido líquido-sólido como caminho comercial. Uma empresa chinesa de porte médio, fundada em 2016 e sediada em Pequim, aparece ao lado de gigantes do setor na lista da MIT Technology Review, o que indica que o avanço pode vir de quem domina a manufatura, não apenas de quem tem laboratório de ponta.

Para montadoras, o recado é que a autonomia de 1.000 km já foi demonstrada em estrada com a Nio. O gargalo restante é econômico.

O que vem agora

A WeLion New Energy segue desenvolvendo células com densidade ainda maior, depois do resultado de 824 Wh/kg obtido em 2025. A empresa não divulgou prazo público para levar essa química à produção em massa.

O histórico recente indica etapas: primeiro a parceria com a Nio em 2023, depois a entrada em embarcações via subsidiária, agora a célula de teste mais densa. Cada passo aumenta a pressão sobre o custo de fabricação, o fator que limitou o pacote de 360 Wh/kg a cerca de 200 unidades.

Fontes

  • MIT Technology Review: WeLion New Energy and its semi-solid-state batteries (https://www.technologyreview.com/2026/10/06/1144987/2026-climate-tech-companies-to-watch-welion-semi-solid-state-batteries/)